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1995
 
  Gal Costa saía de longo descanso profissional, depois de escolher não lançar discos ou estrear shows no ano anterior. A única concessão foi cantar na apresentação única dos Doces Bárbaros na quadra da Mangueira, em janeiro de 1994, e participar do desfile da escola de samba, que homenageava o quarteto baiano em seu samba-enredo daquele Carnaval. No mais, Gal ficou no bem-bom e na preparação de próximo trabalho, voltado a Caetano Veloso e Chico Buarque.

O CD e o show Mina D’água do Meu Canto retomava um percurso que ela desenvolvera em 1976 e 1980, nos discos dedicados às obras de Dorival Caymmi e Ary Barroso, respectivamente. Cantar Chico Buarque seria para Gal uma forma de agradecimento ao compositor que fora, desde 1966, um dos maiores defensores de sua voz nos meios musicais – além de evidenciar a grandeza dele como criador determinante na MPB do século 20.

Cantar Caetano era estar em casa, junto ao repertório do compositor com quem dividiu o primeiro disco, as primeiras emoções, os primeiros sucessos e as primeiras descobertas. Caetano é o autor mais gravado por ela e, exceto nos discos de repertório temático, suas composições estão presentes, novas ou não, em toda a discografia da cantora. E Mina d’Água trazia apenas uma inédita dele: Como um Samba de Adeus, tocante tema de despedida para Tom Jobim.

O show mostrava a faceta "diva" de Gal Costa: recital contido, em tons discretos e elaborado segundo concepção dela. O espetáculo viajou pelas principais capitais brasileiras e levou Gal a gravar seu primeiro videoclip para a MTV, com Odara, em produção cênica inspirada no flower power.

A década de 90 chegava à metade, sem outras novidades além da informática começar a dominar tudo. Bill Gates naquele ano era considerado o homem mais rico do mundo. Morriam personalidades como Lana Turner, Ivon Cury, Paulo Gracindo e Dean Martin, parecendo que já pertenciam a um planeta antigo, pré-computadorizado e aparentemente todo feito em preto-e-branco.

Eduardo Logullo
 
 

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