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01 00 99 98
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1998
 
  Morria nesse ano uma figura emblemática dos anos 60: o escritor Carlos Castañeda, autor de livros escritos nas florestas tropicais sob efeitos alucinógenos do cogumelo peyote. Em títulos como Viagem a Ixtlán ele fez a cabeça de muitos jovens daquela geração. Agora, em tempos de materialismo, música eletrônica e informática, a viagem era completamente outra.

Ocorria então o boom mundial da internet, com a multiplicação de provedores e de empresas voltadas ao explosivo e milionário segmento. A humanidade não seria mais a mesma, havia certa esperança de futuro. No Brasil as coisas não ficavam atrás, com a estabilidade monetária do real e a paridade da moeda nacional em relação ao dólar.

Dois símbolos importantes do século 20 também desapareceriam em 1998: o cantor Frank Sinatra, The Voice, o intérprete que semeou romantismo por décadas seguidas; e o urbanista Lúcio Costa, mentor da arquitetura moderna no Brasil, inclusive Brasília.

E na erupção da novíssima era computadorizada, Gal Costa não perde tempo e vai ver de perto as mudanças. Primeiro, decide lançar seu site oficial. Segundo, grava um CD de base eletrônica e arranjos cintilantes, produzido por Celso Fonseca. O disco se chama Aquele Frevo Axé. Tocou pouco, vendeu pouco, é pouco conhecido e, pena, era muito bom. Aliás, continua ótimo.

Gal ousava ali ao registrar uma raridade de Tim Maia, (Que Beleza), mais canções em escalas difíceis, de José Miguel Wisnik, Caetano Veloso, Adriana Calcanhoto, Moreno Veloso, Herbert Vianna, entre outros. Esse trabalho chegou a ser programado para estrear em show, mas Gal mudaria de planos logo à frente. Antes de 1998 se encerrar, ela passou a delinear o projeto de cantar Tom Jobim. O ano seguinte seria inteiro dedicado a ele.

Eduardo Logullo
 
 

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