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2002
 
  O ano se abria mais leve e com bons ventos, apesar da ameaça de guerra no Oriente Médio. Doze países na Europa adotavam o euro, moeda que já competia com o dólar. A rainha Elizabeth II condecora como Sir o cantor Mick Jagger. No Rio, os comandos do tráfico assassinam cruelmente o jornalista Tim Lopes.

Gal Costa havia encerrado seu contrato com a BMG, gravadora em que estava desde 1984. E logo assina com o selo Abril Music, acompanhando a tendência mundial de muitos artistas importantes: acabar a filiação artística às grandes labels multinacionais.

O que Gal queria em 2002? Cantar, cantar, cantar. Quem canta espanta males próprios e de todos em volta. Ela então começa a se apresentar, por poucas vezes, com um show que servia de laboratório para o repertório novo. Em São Paulo, no Parque do Ibirapuera, incluiu clássicos de seu repertório, como Jóia, Avarandado, Minha Voz e até apostou em lances inesperados como Cabelo Raspadinho, de Tenison Del Rey e Edu Casanova. Algo novo viria por ali.

No início do segundo semestre o I Prêmio Caras de Música a escolhe como homenageada do ano. Na noite da premiação, no Rio de Janeiro, Gal se apresenta no palco da Vila Riso com alguns convidados. Entre eles, Gilberto Gil.

Vem então no segundo semestre o CD Bossa Tropical, produzido pela MZA e distribuído pela Abril Music. E dessa vez houve uma rendição da crítica em relação à cantora. O disco, despretensioso e alegre, com poucos músicos e basicamente acústico, a mostrava como intérprete interessada apenas em se expressar. Um passeio de timbres e possibilidades, como só Gal seria capaz de topar. De Marcianita a Ovelha Negra, de Arnaldo Antunes a Beatles, de Riachão a Caetano Veloso. Salve o prazer.

Em dezembro ela se junta mais uma vez aos Doces Bárbaros, em dois espetáculos únicos da série Pão Music, no Rio de Janeiro e São Paulo. Gal encerrava o ano em boa forma, cantando o que queria e do jeito que desejava. Conquistas definitivas e que viriam para durar.

Logo a seguir, Gilberto Gil aceita o convite do presidente eleito Lula da Silva para atuar como Ministro da Cultura no governo que seria empossado a 1º de janeiro de 2003. Sopros de ânimo e esperança.

Eduardo Logullo
 
 

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