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Sucessor de 'Estratosférica: Ao Vivo', que lança agora em CD duplo, DVD e nas plataformas digitais, sai no primeiro semestre de 2018

“Sim, eu pedi uma música a Marília Mendonça, mas ainda não recebi”. Intérprete de Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Djavan, entre outros, Gal Costa, 72, confirma que pretende incluir, em seu próximo álbum, uma canção inédita da cantora e compositora sertaneja. “Gosto muito da maneira como Marília trata os temas de suas canções, essa maneira direta de falar de assuntos como traição e relações amorosas tumultuadas. São temas que, no final das contas, já foram tratados por autores clássicos, como Lupicínio Rodrigues (1914-1974) e outros tantos. A diferença é que, agora, eles são mostrados a partir do ponto de vista da vivência feminina. Isso me atrai muito”, elogia a cantora, garantindo que, se a encomenda chegar a tempo, vai incluir no disco.

Gal adianta que o sucessor de “Estratosférica: Ao Vivo”, que lança agora em CD duplo, DVD e nas plataformas digitais, sai no primeiro semestre de 2018. “Mas irei gravar ainda neste ano”, completa. Além de Marília, símbolo da nova geração do sertanejo universitário, chamado por setores da imprensa de “feminejo”, o repertório do álbum deve reunir canções de Djavan, Criolo, Gilberto Gil e Nando Reis, feitas especialmente para o primeiro trabalho de inéditas da cantora desde 2015. Com Gil e Reis, Gal ainda realiza, até dezembro, o espetáculo “Trinca de Ases”.

“A gravadora me pediu um álbum com canções inéditas, e eu adorei. É o que mais quero fazer agora. Começar tudo de novo. Só não posso adiantar muito mais que isso para não estragar a surpresa”, despista a baiana. Nando, aliás, postou na internet “Mãe de Todas as Vozes” como forma de parabenizar a cantora no dia em que Gal completou 72 anos (26 de setembro). A música é outra certeza para o disco novo. “Nando é um excelente compositor, adorei a música que ele fez para mim”, elogia Gal. Os versos finais da canção do antigo titã a definem: “Sou filha de todas as vozes que vieram antes/ Sou mãe de todas as vozes que virão depois”.

Presente. Entre o passado e o futuro, o presente de Gal é o registro do show gravado em São Paulo, na casa Natura Musical, em junho, e baseado no último disco de estúdio. “Eu queria um show mais roqueiro, afinado com o começo da minha carreira no Tropicalismo”, conceitua a cantora, que, não por acaso, aparece sorridente na foto da capa de “Estratosférica: Ao Vivo” fazendo chifrinho com a mão esquerda, gesto típico do universo do heavy metal. Gal revela que muito desse clima roqueiro do disco é influência direta do filho de 12 anos. “Gabriel estava ouvindo muito rock há dois anos. Então, havia rock tocando em casa o tempo todo”, conta.

Com roteiro de Marcus Preto, “Estratosférica: Ao Vivo” reúne 22 canções, entre as que encomendou a jovens compositores (e que integraram o álbum de estúdio), sucessos de carreira (“Objeto Não Identificado”, “Namorinho de Portão”, “Cabelo”, “Como 2 e 2”, “Meu Nome É Gal”) e músicas que não tinha gravado antes: “Cartão Postal” (Rita Lee e Paulo Coelho) e “Os Alquimistas Estão Chegando” (Jorge Ben Jor). “Quando Marcus me trouxe a música da Rita Lee, ela se encaixou muito bem. Eu sugeri ao Pupillo (baterista e produtor do disco) e aos meninos que transformássemos a música do Ben Jor em um rock, e assim foi feito. Aliás, as duas músicas dele viraram rocks. ‘Cabelo’ (com Arnaldo Antunes), que eu já tinha gravado no disco ‘Plural’ (1990), e ‘Os Alquimistas Estão Chegando’, que nunca tinha cantado”, comenta Gal. A única inédita do repertório é “Por um Fio”, bossa nova de Marcelo Camelo.

A cantora diz ter gostado muito do resultado do show. “Trouxe um público jovem para perto de mim e eu gosto disso, e aí virar um DVD foi um processo natural. Marcus sempre quis que virasse um DVD também, então gravamos. Estou felicíssima com o resultado”, assegura a baiana.

Sustentada por uma banda de peso formada por Guilherme Monteiro (guitarra e violão), Fábio Sá (baixo), Maurício Fleury (teclados e guitarra) e Pupillo, Gal repete o pique da época do memorável show “Fa-Tal: Gal a Todo Vapor”, idealizado por Wally Salomão (1943-2003) em 1971, ao interpretar, com roupagens tão modernas quanto as originais, músicas do calibre de “Mal Secreto” (Wally e Jards Macalé), “Namorinho de Portão” (Tom Zé) e a sempre deslumbrante em sua voz “Não Identificado” (Caetano Veloso). “Acho que o que passou passou. Sou feliz com o que eu já fiz, mas não fico satisfeita nunca. Quero fazer outras coisas muito importantes ainda. Se não para todo mundo, pelo menos para as pessoas que se conectam comigo, que me escutam”, confidencia uma das maiores cantoras do país.
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