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Gal Costa: vestida para o apocalipse

Raphael Vidigal - O Tempo - 15/02/2019
 



Uma estrela cai do céu abrindo um abismo, de onde sai uma fumaça com gafanhotos. Venenosos, os bichos têm cauda de escorpião, couraça de ferro, coroa de ouro, dentes de leão, cabelo de mulher e rosto de homem. Essa é uma das visões descritas pelo apóstolo João no “Livro da Revelação”, após ressoar a trombeta tocada pelo quinto anjo. Também conhecido como “Apocalipse”, o texto encerra a Bíblia e o Novo Testamento.

Nesta semana, o “asteroide do apocalipse” pôde ser visto da Terra a olho nu. Com 87 milhões de toneladas, ele teria capacidade para provocar uma explosão 80 mil vezes mais forte do que a da bomba atômica lançada em Hiroshima, no Japão, no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, caso se chocasse com o nosso planeta.

Embora séculos separem o fenômeno bíblico do científico, há entre eles uma palavra em comum, que se repete na boca de Gal Costa, 73. “A visão que eu tenho do país, e do mundo também, é que parece que o apocalipse quer chegar. O mundo está muito violento, esquisito. E no Brasil houve uma radicalidade muito negativa, muito perigosa”, opina a cantora baiana.

Gal se apresenta neste sábado (16) em Belo Horizonte, depois de passar por Rio e São Paulo. A turnê “A Pele do Futuro” tem como ponto de partida o álbum homônimo, lançado no ano passado, mas não se restringe a ele. Do disco mais recente, ela extraiu seis das 13 faixas, quase metade, portanto.

O futuro, aliás, tem interessado a Gal, e a constatação adquire amplas conotações no momento em que ela analisa o verso retirado da música “Vida Passageira”, de Gilberto Gil, que serviu para batizar a nova empreitada. “A pele do futuro é aquela que tem marcada em si as cicatrizes de uma vida, de um caminhar. Ela reúne o que o tempo escreveu nela, as belezas, as dores e o aprendizado”, diz.

É fato que a partir de “Recanto” (2011), produzido por Caetano Veloso, a musa do movimento tropicalista retomou o espírito libertário e contestador dos tenebrosos tempos da ditadura militar, movida por um desejo de modernidade. “Nossa pele está sempre em constante transformação, ganhando novas marcas, se renovando ao mesmo tempo em que envelhece”, completa Gal. A prova desse rejuvenescimento na carreira se observa na própria plateia que comparece aos shows da artista.

Além da estética dada ao repertório, baseada nos arranjos e na direção musical conduzida pelo baterista Pupillo, a presença de autores da nova geração certamente contribuiu. Gal passa pelo indie com “Sublime”, de Dani Black, filho de Tetê Espíndola e useiro e vezeiro em ser gravado por Ney Matogrosso; e vai ao que há de mais midiático com “Cuidando de Longe”, balada romântica da sertaneja Marília Mendonça. “Eu sou uma cantora que gosta de inovar, de dar saltos na minha carreira, ousar, não tenho medo de mudar e de gravar outros estilos e criar novos caminhos”, justifica Gal.

Se na capa (censurada) do disco “Índia” (1973) e no espetáculo “O Sorriso do Gato de Alice” (dirigido por Gerald Thomas) a intérprete aparecia com os seios de fora, as rugas que os anos inevitavelmente cravam no corpo não chegam a incomodá-la. Gal conta que, recentemente, ao entrar em uma loja à procura de um creme facial, a vendedora lhe mostrou um para mulheres de 40 anos. “Não me sinto aprisionada ou pressionada pela passagem do tempo, eu lido muito bem. Saio sem maquiagem de casa, gosto de viver minha vida natural. O meu espírito não acompanha minha idade cronológica. A minha voz é o espelho da minha alma. E minha alma é jovem”, garante.

Sucessos. Para comprovar a tese, Gal tratou de colocar no set list três canções inéditas em sua voz. Os hits atemporais “As Curvas da Estrada de Santos” (de Roberto e Erasmo Carlos) e “O que É que Há” (de Fábio Jr. e Sérgio Sá) receberam a doce companhia da apaixonada “Motor”, composta por Teago Oliveira para sua banda de rock Maglore e lançada em 2013. Todas foram sugeridas por Marcus Preto, produtor e fiel escudeiro da cantora desde o álbum “Estratosférica” (2015), e acatadas de imediato por Gal.

A costura do repertório também ficou a cargo de Preto, que inseriu vários sucessos da trajetória iniciada em disco no ano de 1967 (com o LP “Domingo”, dividido com Caetano), como “Vaca Profana”, “Dê um Rolê”, “Que Pena”, “Lágrimas Negras”, “Azul” e “Sua Estupidez”. Apesar do revisionismo, as músicas receberam novos arranjos para que “houvesse uma unidade musical e elas se encaixassem na sonoridade do trabalho”, explica Gal.

Já o bis é dedicado ao Carnaval. Apesar de a festa mais popular do país vir ganhando cada vez mais espaço nas ruas de BH, a folia nunca foi de empolgar a cantora. “Desde muito nova, eu não gosto muito de Carnaval. Eu ia em Salvador no primeiro dia, depois não ia mais. Acho lindo acompanhar os desfiles e os blocos na TV, mas estar na folia, não”, admite Gal, que canta “Bloco do Prazer”, “Balancê”, “Massa Real” e “Festa do Interior” com um indisfarçável entusiasmo.

Afinal de contas, a cantora é versada na arte de surpreender. “Eu não me cobro nada, as coisas na minha vida sempre aconteceram naturalmente. Tenho várias ‘Gals’ dentro de mim, e todas refletem o que eu sou hoje. Sou uma pessoa e uma cantora plural. Devemos estar abertos para ver o mundo de diversas maneiras”, conclui.
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