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O renascimento de Gal
Marcus Preto - Bravo - 28/09/2005 |
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No mês em que comemora 60 anos, a cantora lança disco com músicas de novos compositores e dá mostras de que recuperou o vigor criativo
No fim da década de 90, o poeta Waly Salomão, um dos ícones da contracultura dos anos 70 e o maior mentor que Gal Costa já teve, passou a se referir à sua antiga musa como “ex-Gal”. Ele, que participara explosivamente de momentos-chave na carreira da cantora, não aprovava os rumos que ela vinha dando à sua música.
O apelido fazia sentido. Desde pelo menos 1997, ainda que afinação e timbre continuassem intactos, algo no canto de Gal se mostrava esfriado, opaco, distante do ímpeto de outros tempos. Seus discos não traziam mais novidade. Hoje — álbum que a Trama está lançando agora, em setembro de 2005, justamente no mês em que a baiana completa 60 anos — parece encerrar a longa escassez criativa: recupera muito da Gal antiga e retoma em grau considerável o diálogo com a grande artista que ela foi por três décadas.
Se sua estréia em LP (dividido com Caetano Veloso, há 38 anos) refletia influência maciça de João Gilberto, não haveria termo de comparação para o passo seguinte, quando a cantora se tornou a figura feminina mais representativa do Tropicalismo (Rita Lee ainda compartilhava palco e atenções com os outros dois meninos-mutantes). A atitude visceral da baiana, seu vestuário e seu canto gritado/gemido deixaram o público confuso. Aquilo era sexo, e um jeito de sexo que nem a direita nem a esquerda tinham experimentado.
Foi exatamente a falta de enquadramento político que a salvou do exílio, em 1969. Sem Caetano e Gilberto Gil, converteu-se em porta-voz das idéias tropicalistas por aqui. Nesses anos, produziu dois LPs furiosos, os mais profundamente psicodélicos já gravados por uma mulher no país: Gal (1969) e Legal (1970).
Waly Salomão chegou em 1971 para dirigir o show A Todo Vapor. Cerebral e intuitivo ao mesmo tempo, o poeta ressaltou a sensualidade da cantora no palco, colocando coxas à mostra, fazendo marcações provocativas. Em três tempos, ela passou a ocupar o posto de musa da contracultura e atraiu toda a turma do desbunde para sua praia. Nas dunas da Gal (o ponto de Ipanema que a cantora freqüentava), sexo, drogas e cabelões estavam liberados. Sônia Braga, Júlio Bressane, Rogério Sganzerla, Leila Diniz e o adolescente Cazuza eram figurinhas fáceis naquelas areias. “Gal simbolizava a gostosura dos anos 70”, sintetiza o humorista José Simão, que também batia ponto nas dunas. |
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