Trama disponibiliza CD de Gal
31/08/2005

Gal atual
12/08/2005

Chovendo na roseira
20/07/2005

Voz renovada
24/06/2005

Gal Costa participa do Heineken Jazzfest de Porto Rico
03/06/2005

 
 
   
anteriores   próximos
 
   
 
  Depois da meia-noite
Antonio Carlos Miguel - Folha de São Paulo - 03/03/2005
 
 

Uma insuspeitada memorialista está quicando na área, mas tão cedo seus textos não devem virar livro. Textos como os que tivemos acesso e que publicamos com exclusividade e aos quais Gal Costa tem dedicado muito de suas madrugadas. "Nunca durmo antes das quatro da manhã, e quando a casa se acalma, depois da meia-noite, fico no computador escrevendo", conta Gal, que, menina, gostava de fazer redações, mas só retomou o hábito nos últimos anos, quando aderiu ao computador e à internet. "Escrevo há algum tempo, sem uma ordem cronológica. São fragmentos da memória que separo por temas. Não sei como será o livro, alguém terá que organizar os textos, mas é cedo, só pretendo editá-lo quando ficar velha (risos) . Antes disso tenho muitos projetos".

Projetos que, provavelmente, renderão muitas outras histórias para o futuro livro. Empolgada com os novos rumos de sua carreira, a cantora, que na semana que vem, entre os dias 28 e 31 de outubro, volta ao Canecão com o show "Todas as coisas e eu", no momento negocia sua transferência para a gravadora Trama e planeja um novo disco.

"Depois de dois meses de conversas, o contrato está pronto, chegamos a um acordo e devo assiná-lo na semana que vem. Já tenho o próximo disco delineado, mas fico com medo de falar, o que posso adiantar é que será com repertório inédito, estou pedindo músicas ás pessoas", diz Gal, que em seu CD anterior, que dá nome ao show atual, reviu clássicos da canção brasileira pró-bossa nova, mas filtrados pela batida do violão e pelo canto de João Gilberto.

A experiência de mergulhar no passado - tanto musicalmente quanto nos textos memorialísticos - parece funcionar como uma auto-análise e pode explicar muito da boa fase da cantora. Mas usar da escrita para superar suas dúvidas e frustrações não é novidade, e sim algo que Gal já experimentara na juventude, antes de sair de Salvador.

"Eu tinha uns 19 anos, estava com Caetano, Dedé e Piti na Rural Willys de um amigo, quando furou o pneu e o carro rolou pela ribanceira", conta. "Como a gente vinha devagar, ninguém se machucou, mas fiquei muito traumatizada com o acidente. Então, outro amigo sugeriu que fizesse algumas sessões de análise, mas como eu ficava completamente travada e não conseguia falar nada, o psicanalista pediu que eu escrevesse. Passei a registrar tudo, inclusive os meus sonhos. Certo dia, Caetano me viu com uns papéis na mão, perguntou o que era, pediu para ler e adorou, disse que escrevia muito bem e que deveria continuar com aquilo".

Gal não seguiu o conselho do amigo - que depois iria se tornar seu principal compositor - mas se o Brasil perdeu naquela época uma escritora promissora, ganhou uma de suas melhores cantoras. Nos trechos de suas memórias ela revela a premonição que teve na adolescência de que seria famosa, e conta que até hoje tem antevisões. Um dom que, no entanto, não costumava falar para ninguém, "porque receio que, se contar, essa espécie de encantamento poderá se partir e impedir a sua realização".

Histórias de suas primeiras experiências profissionais em São Paulo, quando foi apresentada por Chico Buarque a empresários da época; de como deu sua guinada tropicalista, surpreendendo até Caetano; ou da cumplicidade dos Doces Bárbaros, que, juntos, formariam "uma quinta energia"; são lembradas, num estilo que mistura leveza e profundidade. Como na letra da canção "Divino maravilhoso", o que se revela a partir desses textos é uma Gal Costa atenta e forte.

"Está sendo maravilhoso, escrever é um prazer indescrití-vel", garante.

   
 

126 registros:  |< < 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26  > >|
© 2005 Gal Costa - Biografia Discos DVD Notícia Textos Vídeos Fotos Agenda Extras Recados Busca | EnglishCréditos
Contato para shows