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  Seu nome é Gal

Sílvio Osias - Meio bossa nova, meio Rock roll - 11/03/2001
 
  A única grande cantora brasileira que lamento não ter visto ao vivo é Elizeth Cardoso. Acredito que era a mais clássica de todas as intérpretes da música popular do Brasil, como Ella Fitzgerald era o modelo clássico da cantora de jazz. Se isso não bastasse, foi num disco de Elizeth (Cancão do Amor Demais, 58), só com músicas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, que João Gilberto registrou, pela primeira vez, a batida da bossa nova. Entre as nomes que surgiram nos anos 60, Maria Bethânia chama a ninha atenção pela força dramática da sua figura e da sua voz. Fui vê-la no Teatro Paulo Pontes e fiquei certo de que carrega uma força única e arrebatadora. De Nara Leão, que vi algumas vezes no Teatro Santa Roza, guardo a imagem de uma pessoa discreta e elegante, que soube se posicionar com dignidade diante das mudanças que aconteceram na MPB. Na década de 70, fiquei muito dividido entre Elis Regina e Gal Costa. Quem era a maior cantora do Brasil? Quem conciliava melhor a técnica com a emoção? Quase sempre, a voz de Elis me impressionava mais, embora, no conjunto, preferisse a figura de Gal. Lembro-me de Gal Costa quando lançou a primeiro disco-solo, em 69. Ela vinha de um trabalho em parceria com Caetano Veloso (Domingo, 67), onde está a gravação original de Coração Vagabundo, e de uma participação no Panis et Circensis, o manifesto tropicalista. Arranjado pelo maestro Rogério Duprat, o LP de estréia apresentava ao Brasil uma cantora que se destacava pela beleza da voz e pela qualidade do repertório. Que Pena, de Jorge Ben, e Não Identificado, de Caetano, estavam entre as faixas mais divulgadas. Em Saudosismo, era intérprete da sensível homenagem de Caetano a bossa nova, enquanto Divino, Maravilhoso remetia ao tropicalismo, àquela altura, um movimento atingido pela prisão dos seus mentores, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Com os dois baianos exilados em Londres, Gal tentava ser porta-voz do tropicalismo, mas, numa constatação que se faz hoje, três décadas mais tarde, está claro que a movimento não resistiu a ausência de Caetano e Gil, nem tinha como sobreviver no Brasil do AI-5. Entre a segundo disco, lançado ainda em 69 (aquele que tem Meu Nome é Gal), e a álbum ao vivo Fatal (72), sua imagem e seu canto ficaram mais agressivos, o que levou muita gente a ver nela uma espécie de Janis Joplin brasileira, idéia equivocada, que se desfez a partir do disco Índia, de 73. Em Gal Tropical (79), estava consolidada coma uma grande intérprete, a que se comprova, facilmente, na versão irretocável de Força Estranha (acompanhada pelo violão de Robertinho de Recife), que Caetano Veloso compôs para Roberto Carlos. Vi Gal Costa todas as vezes em que veio a João Pessoa. No show Cantar (75), com João Donato ao piano, ela já abandonara a performance agressiva de Fatal e se tomara uma intérprete mais sutil. Em Caras e Bocas (77), com Wagner Tiso ao piano, enfrentava uma platéia hostil quando anunciava que ia cantar uma música americana. Era Negro Amor, versão que Caetano Veloso fez de It's All Over Now, Baby Blue, de Bob Dylan. Em Gal Tropical (80), levava para o palco a fórmula de sucesso aprovada no estúdio. Era um show maduro e exuberante. Em Plural (91), o violão que a acompanhava, cantando Noel Rosa, convivia em perfeita harmonia com os tambores das ruas de Salvador. Em Mina D'Agua do Meu Canto (95), promovia um encontro do repertório de Caetano Veloso com o de Chico Buarque. A técnica parecia predominar sobre a emoção, sensação que o disco homônimo também me transmitiu nas primeiras audições. Em Gal Costa Canta Tom Jobim (99), homenageava o maior compositor brasileiro num recital emocionado. Na verdade, Gal e Jobim pretendiam fazer um disco juntos, mas Tom morreu antes. O show, transformado em álbum-duplo, foi a maneira que ela encontrou de concretizar o projeto. O resultado é um songbook que vai da fase pré-bossa nova (Por Causa de Você, Estrada do Sol, Se Todos Fossem Iguais a Você) as composições dos anos 70 (Lígia), 80 (Anos Dourados) e 90 (Piano na Mangueira), passando, naturalmente, pela bossa (Garota de Ipanema, Chega de Saudade, Desafinado). Com técnica apurada e muita emoção, Gal percorre a trajetória de Jobim num disco a altura da obra dele. Mais de trinta anos depois de se lançar na MPB, Gal Costa é o que se pode chamar de uma grande dama da canção, como mostra o show acústico da MTV de 97, uma brilhante retrospectiva da sua carreira. Ou as imagens dela cantando A Felicidade, acompanhada pelo piano de Herbie Hancock, no Free Jazz Festival de 93, em São Paulo, performance registrada no documentário Tribute To Jobim. Agora, na maturidade, Gal brinda seu público com uma voz ainda mais bonita e faz a gente pensar no que Caetano disse na noite em que a conheceu, na Salvador do início dos anos 60: que ela seria a maior cantora do Brasil. in Meio Bossa Nova, meio Rock'n Roll. Sílvio Osias. Edição do autor, 2001.
   
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