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  Janela da Graça
Gal Costa - 29/06/2005
 
  Uma vez quando era criança tive uma premunição muito forte. Morava na Graça numa casa muito simples. Dedé e Sandra moravam em frente. Tinha duas janelas e um portão. Estava sentada numa das janelas lendo um gibi quando passou do outro lado da rua um rapaz, um cantor, que cantava na televisão local da Bahia. Era uma televisão bem irregular com programas ruins e alguns bons, como o do Carlos Coqueijo, por exemplo.

Lembro que a rua toda correu, meus amigos, meus colegas, todos correram para o cara com pedaços de papel na mão pedindo autógrafos.

Pensava: que coisa sem sentido. Um pedaço de papel, que importância tem a assinatura de um cara num pedaço de papel, que coisa ridícula.

Ao mesmo tempo explodiu uma intuição que me mostrou exatamente na situação dele, dando autógrafos. Foi uma premonição extraordinária. Deveria ter uns 12, 11 anos, talvez menos. Foi um acontecimento muito forte. Mas não comentei com ninguém. Guardei dentro de mim porque achava que as pessoas poderiam achar loucura. Como essa, tive muitas outras antevisões. Tenho até hoje. E até hoje não conto para ninguém porque receio que se contar essa espécie de encantamento poderá se partir e impedir a sua realização.
   
 
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