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  Entrevista: Gal Costa
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  Bolinho de Fubá

Gal Costa - 05/2005
 
  Chico não se lembra de nada, vai ver é amnésia alcoólica, como diz Caetano brincando. Mas, foi ele mesmo que me introduziu à diretoria da Record. Naqueles dias Chico e Nara faziam A Banda, um dos vários programas de música popular brasileira que a Record exibia semanalmente. Cheguei ao Rio com a minha mãe em férias, coincidindo com a estréia de Bethânia no lendário show Opinião. Lembro que assisti aos prantos. Bethania era magra e, carregada de emoção, vergava o corpo com uma flexibilidade de vara verde, parecia que ia quebrar. A platéia enlouquecia. Voltei para a Bahia só pensando em vir para o Rio morar. Pedi um dinheiro emprestado a um primo que, quando soube que era para eu vir para o Rio virar cantora, recusou. Outro primo, porém, foi mais justo e lá vim eu com trezentos e poucos não sei o quê. Nossa moeda já mudou tanto que não sei precisar. Feliz da vida, consegui uma vaga numa kitchenette na Sá Ferreira onde só podia dormir e tomar banho. O resto do dia era passado em casa de primos, amigos, e da turma da MPB. Chico apresentou-me então o seu empresário Roberto Colossi e, por sua indicação, lá fui eu a São Paulo mais Chico falar com o ban ban ban da Record, o Marcos Lázaro, uma figura gorda, argentino, fumava um charutão com aquela presença dominadora dos nossos vizinhos do sul. Chico havia me aconselhado a pedir um bom cachê. Mas com aquela presença grandalhona e forte à minha frente, tímida como eu era, aceitei a merrequinha de cachê que me ofereceram. Fiz o programa do Chico com a Nara, depois o Fino da Bossa, com o Jair Rodrigues e a Elis Regina, e um programa do Agnaldo Rayol... enfim, conseguia um dinheirinho. Com isso saí da vaga da Sá Ferreira e aluguei um quarto – só para mim – no Solar da Fossa. O banheiro era fora. Moravam lá: Caetano, Paulinho da Viola, Rogério Duarte... Foi um início difícil mas que me traz boas recordações, por mais difíceis que possam ter sido, como o dia em que não tinha nada para comer, dinheiro nenhum, apenas um vale de casco vazio de uma coca cola. Foi o que me salvou: com ele consegui um leite gelado e um bolinho de fubá...
   
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