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  Os novos amores de Gal

Hagamenon Brito - Correio da Bahia - 03/09/2005
 
  Os novos amores de Gal Cantora lança CD com jovens compositores e fala sobre a crise política Hagamenon Brito Gal Costa interpreta novos autores como Moreno Veloso, Péri, Moisés Santana, Quito Ribeiro e Tito Bahiense no CD `Hoje´ Gal Costa completa 60 anos dia 26 e rejuvenesce com o CD Hoje, que chega às lojas segunda-feira e marca a sua estréia na Trama. Produzido por Cesar Camargo Mariano, ex-marido da "rival" Elis Regina ao posto de melhor cantora da MPB, é o disco que a crítica cobrava da baiana desde os anos 90. Exceto pelos fiéis Caetano Veloso e Chico Buarque, todos os demais compositores interpretados por Gal Costa em Hoje são jovens (ou quase) da cena alternativa, como os baianos Moreno Veloso, Péri, Moisés Santana e Tito Bahiense, o pernambucano Junio Barreto e os paulistas Hilton Raw e Nuno Ramos. "Eu estava realmente devendo esse disco. Há muito tempo eu prometia um trabalho com inéditas, mas não é fácil garimpar repertório. Cesar e Carlos Rennó foram fundamentais nisso", explica a cantora, por telefone, do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), enquanto aguarda o embarque do vôo para Salvador. O pianista Cesar Camargo Mariano, que já havia trabalhado com a artista em Baby Gal (1983), também cuidou da direção musical e arranjos do álbum que traz três composições do congolês Lokua Kanza em parceria com o letrista Carlos Rennó: Mar e sol, Te adorar e Sexo e luz (com participação do africano). "Eu me apaixonei pelas melodias de Lokua", derrete-se Gal, que vai gravar, em 2006, um projeto com Cesar Camargo muito especial: um disco dedicado à músicas do repertório do cantor e trompetista americano Chet Baker (1929-1988). "Adoro Chet Baker e o meu contrato com a Trama prevê esse trabalho". A idéia do tributo nasceu em 2003, quando Gal foi anfitriã de um concerto em homenagem a Tom Jobim no Carnegie Hall, Nova York, e interpretou uma canção de Chet Baker na companhia de Cesar. "Íamos gravar Hoje e o tributo simultaneamente, mas não deu tempo. Um trabalho de inéditas exige muita atenção". Leia a seguir trechos da entrevista com a cantora que reside numa bela mansão na Curva da Paciência, no Rio Vermelho, mas vai montar um "QG" em Sampa. "São Paulo quase sempre é o ponto de chegada e partida das minhas viagens de trabalho e eu sinto muita saudade dos meus cachorros, por isso vou criar um canto aqui, mas não vou abandonar a Bahia (risos)". n n n FOLHA - Você lançou Todas as coisas e eu pela Indie Records, em 2003, e logo saiu da gravadora. Você não ficou satisfeita com o álbum? O que aconteceu? GAL COSTA - Gostei muito do resultado do disco, mas a Indie resistiu à minha idéia de gravar um CD de inéditas em seguida. Eles queriam que eu gravasse outro CD de clássicos. Como já havia encontrado com o Cesar em Nova York, quando conversamos sobre o tributo a Chet Baker, retomei o assunto e soube que a Trama tinha interesse no projeto. Fui conversar e acertei também que, além da homenagem a Chet, eu gravasse o trabalho de inéditas. F - Você já havia trabalhado com Cesar Camargo em Baby Gal (1983). Como foi o reencontro em estúdio? GC - Foi adorável. Ele me ajudou na seleção do repertório, que foi escolhido entre cerca de 200 canções. Só entraram canções que tinham a minha cara, ele trouxe todas elas para o meu universo. Acho que o repertório também trouxe algo de novo para o universo dele, assim como o convívio com músicos jovens em estúdio. F - Por que você demorou tanto tempo sem gravar novos compositores? GC - Eu sempre gostei de lançar novos autores, mas não basta apenas ser um novo compositor para me interessar, sem falar que eu gosto de cantar clássicos, canções eternas. Garimpar repertório novo é algo difícil, tenho que filtrar o que me interessa e trazer aquilo para o meu universo. A Trama, Cesar e Carlos Rennó me ajudaram muito desta vez. F - Mesmo sendo uma intérprete tão experiente, imagino que entrar em contato com tantos autores novos é algo rejuvenescedor para você... GC - Sim. Acho que fiz um disco ousado. Oitenta por cento do repertório é de compositores novos. Alguns já com discos gravados, mas conhecidos apenas no circuito alternativo. Me sinto feliz por poder mostrá-los ao grande público. F - Acho curiosa a presença de baianos (Péri, Moisés Santana e Tito Bahiense) radicados em São Paulo no repertório. Como eles chegaram até você? GC - Tem muito baiano no disco, não é? Mas não é bairrismo (risos). Conheci as músicas de Péri (Voyeur) e de Moisés Santana (Os dois) através do Rennó e Tito (Logus pé), via Trama. Escolhi a música de Tito porque ela fala da Bahia e tem um suingue à la Jorge Ben Jor ou o Gil da década de 70. São compositores baianos que moram em São Paulo e que não pertencem ao mundo do axé. Na nossa geração todos vinham para o Rio e São Paulo, mas quem faz MPB e outros gêneros ainda encontra dificuldades para desenvolver sua carreira na Bahia. F - Artisticamente, você se renova num momento político em que o país reitera uma espécie de sina de dar um passo para a frente e, em seguida, dois para trás. Qual a sua opinião sobre o assunto? GC - Me sinto desiludida, traída. Durante 20 anos o PT criou uma imagem e uma esperança de renovar a política do país, de lutar contra a corrupção, o descaso social e cuidar melhor da cultura. Nada disso aconteceu. Pelo contrário, praticou a corrução da mesma maneira e até pior do que aquilo que ele sempre condenou no Brasil. De qualquer forma, o país está mostrando maturidade diante da crise.
   
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