De Gal - Sobre Gal - Entrevistas
 
 
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Gal Costa Interpreta Caetano Veloso - Divino Maravilhoso
Mauro Ferreira

 
 
   
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  Hoje e sempre, Gal
Ana Cláudia Cavalcante - Jornal A Tarde - 03/09/2005
 
  Música Hoje e sempre, Gal Gal Costa fala de MPB, de política nacional e do novo disco, que chega às lojas segunda-feira Ana Cláudia Cavalcante Gal Costa comemora 60 anos este mês e lança – pela gravadora Trama – o CD Hoje, um trabalho realizado em parceria com o pianista César Camargo Mariano, que fez a direção musical, produção e arranjos do álbum. Ela diz que cumpriu uma promessa pública ao colocar no mercado um disco com 100% de canções inéditas e 80% de músicas feitas por novos compositores. A musa da Tropicália garante gravar, em outubro, um DVD ao vivo do novo trabalho e conta que já está ensaiando para a turnê, que deve começar em São Paulo e seguir por outras capitais do Brasil. O álbum, que vai estar nas lojas a partir de segunda-feira, tem 14 faixas e conta com composições do congolês Lokua Kanza, Carlos Rennó, Moisés Santana, Junio Barreto, João Carlos, Tito Bahiense, Moreno Veloso, Hilton Raw, Lenora de Barros, Marcos Augusto, Péri, Clima, Quito Ribeiro, Nuno Ramos e João Wisnik, e traz, ainda, duas canções inéditas de antigos parceiros, Caetano Veloso e Chico Buarque. Em entrevista por telefone, Gal Costa revela todo o pique desse momento da carreira, diz que será necessário estruturar um quartel general (QG) em São Paulo para administrá-lo. Ainda este mês, ela vai participar de um festival na Colômbia, onde vai entoar eternos sucessos. “Estou aqui e em Salvador o tempo todo, mas sinto falta da minha casa, dos meus cachorros e da minha vida”. Nos shows de divulgação do novo trabalho, Gal vai utilizar sonoridades pré-gravadas; para tanto, terá um computador no palco. Sem problemas com os mais recentes recursos eletrônicos, a cantora avisa: “Estou conectada”. A TARDE – O novo CD tem a intenção de comemorar o aniversário? O que a Gal de Hoje tem a dizer? Gal Costa – Foi uma deliciosa coincidência lançar o disco e fazer aniversário em setembro. Este ano, comemoro 60 anos de vida e 40 de carreira. Tenho mil facetas e, nessa trajetória, fica claro o amadurecimento. Mas muita gente andou dizendo que Gal estava se acomodando. Isto porque passei um período gravando clássicos da MPB, mas a verdade é que gosto de grandes pulos e mudanças radicais. Nas diversas fases dessa trajetória, posso apontar momentos bem distintos, como a Gal do Tropicalismo, a que está presente no Divino e Maravilhoso ou a que se apresenta no Fatal. O CD Hoje traduz um encontro com novos talentos. Com a ajuda de Carlos Rennó, pesquisei o trabalho de novos compositores e, inclusive, me deparei com baianos, Moisés Santana, Tito Bahiense, Péri, além de Moreno Veloso. É muito gratificante colocar o foco nesse pessoal. O novo trabalho encerra a polêmica sobre os novos compositores, registrada nos jornais? Foi um equívoco da imprensa. Jamais falaria que não tínhamos novos ou bons compositores. Até porque não sou burra. Tanta gente boa por aí, gente que não consegue furar o bloqueio da mídia. Antigamente, a mídia conseguia descobrir e divulgar o que rolava nas faculdades, nas ruas, nos apartamentos. Agora, está tudo mais difícil: alguns dos compositores que estão no novo CD estão ralando há quase dez anos sem conseguir visibilidade. Como foi esse encontro com César Camargo Mariano? Foi maravilhoso. Ele é extraordinário. O trabalho foi harmônico. O disco é delicado, é cool. Foi um encontro estimulante, César fez um trabalho impecável como arranjador. Como você avalia o trabalho de cantores da denominada nova MPB, como Lenine, Zeca Baleiro...? A nova MPB inclui os artistas da minha geração, pois somos atuantes e fazemos um trabalho de alto nível. O trabalho desses artistas continua sendo inovador, atual, contemporâneo. O que se chama de nova MPB não existe. Temos, sim, grandes artistas da MPB atualmente, cantores que fizeram sucesso recente e que, sem dúvida, receberam muita influência de artistas como Caetano, Tom Zé, Gil, Chico Buarque, Bethânia e outros. Qual a sua posição sobre os CDs piratas e o ato de “baixar” músicas na internet? Sou contra, claro! É absurdo. Tem que haver uma maneira de acabar com isso. Uma forma jurídica de impedir que isto continue. O que você tem a dizer sobre os escândalos da política nacional? Estou desiludida, como todo brasileiro. Mesmo os que não eram petistas deram um voto de confiança ao grupo por conta do discurso e pela promessa de novos rumos políticos. Votei no Lula e não daria uma nova chance, uma reeleição. O PT tinha um projeto ambicioso de governar o Brasil por mais de um mandato e nada fez do que dar continuidade ao velho jogo. Foi uma porrada violenta.
   
 
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